26 fevereiro, 2007

KAREN JONES HOMENAGEADA PELA ELEMENT



















Karen Jones é uma garota que nunca está parada. Ela faz textos para a Tribo Skate, ilustrações para inúmeras revistas, tem um site - GAROTAS NO COMANDO, uma boa relação com a mídia, bons patrocínios... É uma profissional (entre pouquíssimas no Brasil). Ufa! Isso, entre outras coisas que eu não mencionei aqui.




No final do ano passado, a Element (marca que patrocina a atleta), promoveu um café da manhã para homenagear a atleta e comemorar o título de campeã mundial no vertical feminino. Foi muito bem reconhecida, não só pelo patrocinador, mas pelos amigos que estavam no evento.


Ela representou muito bem a categoria feminina no skateboard em 2006. Levou o skate feminino para muitas mídias diferenciadas, como MTV, programas de TV, Malhação, revista da GOL, enfim, foram muitas pessoas leigas que viram que o skate feminino está evoluindo e tem seu lugar garantido no esporte, e que não é só homem que consegue esta proeza.Foi bem legal presenciar uma marca reconhecendo uma atleta feminina. Eu nunca tinha visto isso antes aqui no Brasil. Foi merecido.


Exemplo a ser seguido por outras marcas e pelas skatistas também.




Qual é a diferença que você sente entre o street e o vert?


Karen - No vert, os skatistas são mais “arrumadinhos” e nerds. Talvez porque seja preciso mais discipina do que no street. As meninas do vert são muito mais tranqüilas do que as do street. Me sinto muito mais confiante em correr campeonato de vert do que na época que corria street.




Qual sua visão da relação patrocinio/atleta no skate feminino? O que falta para isso melhorar?


Karen - Antes de mais nada, atitude das próprias meninas que têm que dar retorno ao patrocinador, mostrar que fazem jus ao que ganham. Filmar, tirar foto, andar cada vez mais, inventar coisas novas em todos os sentidos. E parte do patrocinador reconhecer o trabalho financeiramente e de outras formas. Dando sempre apoio, incentivo, acreditando nas idéias e projetos pessoais da atleta.




Como está o skate feminino hoje, no Brasil? E o que você espera no futuro?


Karen - Acredito que tenha crescido muito, principalmente em número de praticantes. E em nível. Acho que está na hora das “tops” mostrarem o que querem fazer e do que são capazes, principalmente como exemplo para as iniciantes e simpatizantes. A gente é que constrói a cena e, se não tiver atitude por nossa parte, não vai para frente nunca. Tem que andar muito, fazer a coisa virar, com responsabilidade, um passo de cada vez. Não pode deixar nada quieto, tem que exigir, respeitar e aproveitar. Depois, o resto vem na bota.




Você acha que as skatistas fazem por merecer o que exigem?(Por exemplo, campeonatos com premiações ótimas, mídia em revistas especializadas, participação em vídeos masculinos, bons patrocínios e participação em eventos como Pro Rad, Desafio de Rua e Mundial)...


Karen - Vem uma coisa de cada vez. Não dá para chegar e exigir nada muito de cara. Tem que haver conversa e entendimento da parte das meninas e dos responsáveis pelo que quer que seja. Acho sim que deveria haver feminino no Pro Rad, Mundial, Vert Jam, etc. Mas não dá pra chegar invadindo. Antes de mais nada, existe a tal da burocracia do profissionalismo, o que eu acho uma babaquice, de certa forma.Burocracia demais, não é mesmo?Karen - A idéia que o Ed, da confederação, lançou é que essas participações (em campeonatos profissionais) só poderão ser concretizadas, quando houver mais meninas “oficialmente profissionais”, como é o meu caso e da Larissa, (sei lá porque... porque ganhamos salário e saiu na revista que somos pro?). Enquanto isso, quem não tiver declarado que é profissional vai ter que continuar correndo amador, o que pra mim é ridículo, tipo considerar a Feitosa amadora, sendo que ela já ganhou um mundial e participou do X games como profissional... Nem sei se ela ganha salário, de repente até ganha, mas mesmo assim... Acho que é burocracia demais, dificultando nossa vida por causa de regras. Acho que desse jeito não funciona. Parece que estão querendo embarreirar, dificultar. E, ao mesmo tempo, nós não fazemos nada porque somos totalmente desorganizadas. Precisa haver um consenso entre as garotas, antes de mais nada.




E no vert?


Karen - No vert é um pouco diferente, porque não tem garotas o suficiente mas, por exemplo, no Rio Vert Jam, desse ano, estive conversando com a Danielle Bostick, da WCS, pra tentar trazer as gringas pra uma demo ou algo do tipo. Ano que vem. Daí, talvez role algo de bom, é uma semente para o futuro.




O skate feminino no Brasil está preparado para tais exigências? Ou tem que observar mais os skatistas? Você treina e corre campeonatos com homens? Qual sua opinião sobre isso?


Karen - Preparadíssimo. O nível tá ótimo, só falta se organizar. Acho que eles são tão desorganizados ou até pior do que nós. Mas, com um pouco mais de tempo no mercado... (risos...). Em várias coisas, sim. Postura, atitude. Aprendi muito com os meninos, não só na hora de andar, mas como negociar, como agir com a mídia e as marcas, a me agilizar para filmar e fotografar... Se tivesse convivido só com meninas, talvez continuasse andando na Tent Beach de manhã até hoje (divertidíssimo! Continuo andando lá). Mas quis dar as caras, arrastada para a Europa pelo Lécio, andando drenada com o Otávio, querendo andar o tempo inteiro e aprender manobra, tirando foto e filmando tudo... É outra pegada, mas não quer dizer que seja uma coisa exclusivamente masculina.Todas as meninas que andam de skate convivem e são influenciadas pelos caras, umas mais, outras menos. É só não se fechar e tentar aprender o que eles têm de bom..Mas, são poucas as meninas que estão na pegada... A maioria pasma demais. Toda vez que eu aprendo uma manobra nova (às vezes nem muito boa), faço foto e filmo. Nem é para sair nem em revista nem nada, mas quando você filma, parece que está preparado para dar outra mais difícil, e que está realmente fazendo algo. E se é bom, acaba saindo em algum lugar, ou alguém vendo... Começamos a filmar pro Urever e toda vez que eu falo com a Karen, ela diz que quer filmar, que sabe de um pico, que quer dar tal manobra... E a sessão é pegada, ela quer andar o dia inteiro, um pico atrás do outro, muito da hora. E é assim que tem que ser.Daí a outra vê a entrevista, a foto, e quer fazer também...




Você já viajou muito para fora, teve contatos com as skatistas gringas e já correu campeonatos internacionais. Qual é a maior diferença que você notou entre o skate feminino do Brasil e o de fora?


Karen - Acho que o mercado, no sentido que skate lá é tipo andar de bike e o povo consome, não é igual aqui que todo mundo anda de peça velha. As peças gringas no Brasa são caras e, a maioria das nacionais, não prestam... Fica difícil. As meninas lá são mais agilizadas, os campeonatos valem uma grana, o que incentiva mais ainda. Muito mais organizadas. Mas a gente é muito melhor porque não tem nada, anda em pista ruim com peça velha e mesmo assim anda pra cacete...




Texto Tat Marques/Fotos Caroline Magalhães. Foto manobra: Shin


2 comentários:

Anônimo disse...

Sou fã da Karen e adorei a matéria, espero que ela continue divulgando cada vez mais o skt feminino pelo brasil a fora!!
SKATE GIRL...=]
CINTIA, SBC 17 DE ABRIL 2008

Anônimo disse...

Karen "Jones" (Minha gente '.')
Karen Jonz é minha inspiração, manda ver no skate vertical feminino (embora eu faça parte da modalidade street). Ela é a prova viva de que skate não é um esporte só de meninos!!

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